Curando a curiosidade​

e alimentando o macaco cego

Dentro de cada um de nós habita um pequeno Lino – talvez menos incoerente e um tanto mais medroso. Ainda assim, cheio de perguntas e lacunas que o macaco cego (ou nossa mente) tenta preencher. Seja com um “Ah, é só uma citação boba” ou um “Esse autor não está batendo bem da cachola, melhor não contrariar”. A verdade é que sempre há explicações… Ou não. Talvez eu tenha inventado algumas delas depois, mas isso você nunca saberá.

Mufugufos

É uma espécie de micose que nasce nos pés de indivíduos que se aventuram em lugares úmidos. Os Mufugufos normalmente aparecem devido a uma reação causada entre o chulé (sujidade) e um fungo específico encontrado em pântanos das terras de Prei. Mufugufos causam dormência no local, coceira e o nascimento de pequenos cogumelos na região afetada.

“…Rua dos Mufugufos, que não tem nada a ver com fofoqueira, mas não deixa de ser um nome feio.”

Baião do flamingo manco? – indagou a voz. – Isso não seria uma dança?”

O Baião do Flamingo-Manco

A arte marcial foi descoberta em uma despreparada apresentação do Baião do Flamingo, onde um dos bailarinos torceu o tornozelo no meio da dança e girou, involuntariamente, o bordão que usava representando o pescoço do flamingo, acertando os demais dançarinos que tentavam se esquivar e dançar ao mesmo tempo. A eficácia dos ataques foi aplaudida por todos e a dança foi considerada perigosa demais para futuras apresentações, sendo transformada então em uma arte marcial anos depois.

As minas de Asmandir

Localizada nas regiões pedregosas de Prei, Asmandir é uma pequena cidade marcada pelas lendas que envolvem suas minas. Fundada durante a febre das grandes escavações, foi cenário de riquezas e tragédias. Apesar do ouro que enriqueceu as terras, hoje é uma cidade humilde, conhecida por histórias de fantasmas e suas sombrias missas dedicadas aos mortos.

O nome da cidade é uma homenagem ao Terra-tenente Edgard Asmandir, financiador das escavações locais. No entanto, sua história terminou tragicamente: emboscado e morto por seus próprios operários, amaldiçoou a todos com seu último suspiro. Dias depois, um desmoronamento soterrou os mineradores, dando origem às lendas de maldição que rondam a cidade até hoje.

Meu pai me contou que nas minas de Asmandir existem fantasmas que assombram as cidades vizinhas e ficam nas portas das igrejas esperando orações.”

“A curiosidade é como um macaco cego, que apalpa tudo pela frente e leva à boca, tentando encontrar comida num momento sem fome.”

Capítulo 1 – A porta do quarto

Curiosidades do Autor

Indo além de Aboboreira

Uma curiosa história pode conter mais curiosidade do que o próprio enredo apresenta. Afastando as cortinas da imaginação, Curiosidades do Autor é um relato sobre as raízes das pesquisas usadas, falando sobre os motivos que levaram cada pedaço da história a ser assim.

A Volta dos que não foram

Olho Mágico foi escrito duas vezes, e corrigido umas quatro… centas e cinquenta e duas vezes, e mesmo assim eu ainda quero mexer e melhorar…
Na primeira versão, que perdi por completo, os personagens possuíam sobrenomes diferentes, e alguns, até mesmo nomes diferentes. Eu escrevia bastante na época e os nomes vinham na hora que o personagem entrava em cena, porém, quando resolvi reescrever, não lembrava alguns nomes, confundia com personagens de outras histórias minhas e não sabia praticamente nenhum dos sobrenomes, sabia apenas parte do enredo, e muita coisa tinha estranhamente sumido da minha cabeça.
Então, peguei um papel e uma caneta e resolvi reescrever tudo, a mão! 

Nomes e Sobrenomes

Escrever à mão era lento, mas me dava tempo para pensar em cada linha, cada palavra. A essa altura, já existia um vasto material sobre o universo de Quatro Reinos, o que ampliou minha visão da história. Para compensar o ritmo mais lento, escolhi nomes e sobrenomes que ajudassem a manter uma conexão com os personagens.

Exceções como Tortuga, Escadabaixo e Remontoir surgiram naturalmente, pois tinham relevância em outros contos. Mesmo depois de lembrar os sobrenomes originais, decidi mantê-los como estavam, porque eles já haviam encontrado seu lugar na história.

Brasão da Família Tortuga
Tetracolo de Zaw

As Plantas

Na primeira versão, a única Semente da Sombra mencionada era a mandrágora, inspirada pelas lendas que a cercam e pela ideia de transformá-la em uma espécie de “kraken-planta”. No entanto, a ausência de informações sobre outras plantas me incomodava, então comecei a pesquisar e listei 52 nomes.

Escrevi breves descrições para cada uma e incluí as mais importantes no enredo, enquanto as demais apareciam apenas nominalmente. Com o tempo, novas ideias surgiam, e eu as adicionava em um arquivo chamado Catálogo das Sementes das Sombras.

Ao concluir Olho Mágico, o catálogo já tinha se transformado praticamente em outro livro. Então, renomeei o projeto para Botânicaos e o conectei à pesquisa realizada por Martin.

A Zona Inabitada

Ao reescrever a história pela segunda vez, busquei maior cuidado, tanto na construção das informações quanto na incorporação de lendas do nosso mundo. Isso enriqueceu ainda mais o universo de Quatro Reinos.

Em 2010, criei um blog e comecei a publicar semanalmente trechos de Olho Mágico. O espaço gerou discussões saudáveis sobre as referências às lendas, levantou dúvidas e aproximou leitores ao universo criado.

Foi nesse diálogo, entre o nosso mundo e o que já havia sido inventado, que percebi algo especial: havia um lugar inexplorado, uma espécie de “zona inabitada” entre o conhecido e o imaginado. Foi ali que escolhi me instalar.

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Os Contos sem Era Uma Vez: Olho Mágico